Os ensinamentos da saudade

A saudade pode ser uma experiência agridoce. Se sinto saudades, é porque, em algum momento, vivi algo bom. Mas, se sinto saudades, é também porque, por algum motivo, aquilo já não faz parte da minha realidade, temporária ou definitivamente. 

Mas a saudade não traz só esse misto de presença e ausência, ela pode trazer também uma importante mensagem. Nas palavras de Rubem Alves, seria a “nossa alma dizendo para onde ela quer voltar”. 

Por dizer de algo – um momento, uma relação, uma atividade, etc. – que nos foi importante, a saudade é narradora. E a história que ela carrega pode nos reorientar, como uma bússola interna que nos ajuda a entender o que nos toca, o que nos sensibiliza, o que nos energiza, o que nos conecta com a vida aqui dentro e com a vida lá fora. 

É claro que essa bússola está em constante transformação: com o tempo, novas memórias são acrescentadas, ao passo que algumas referências deixam de fazer tanto sentido. Mas esse movimento pode ter a saudade como um sinalizador, principalmente quando nos sentimos perdidos nele e afastados de nós mesmos.