Você se parece com você?

Outro dia, alguém me perguntou: “você acha que minha foto no WhatsApp se parece comigo?”. A verdade é que não sei se nos parecemos sempre com quem somos. Não sei você, mas tem dias em que sou quase o oposto de mim mesma, e que bom que esses dias existem. 

São eles que me lembram que, além de me ser (o que já não é pouca coisa, rs), sou também todas as possibilidades que carrego em mim. Gosto de ter como maior constância a possibilidade de inconstância. Ser mudança, andança, esperança.

E explorando as possibilidades próprias dos seres andantes inconstantes, tenho sido cada vez mais algumas coisas. Tenho sido, também (porque não dá para ser tudo ao mesmo tempo), cada vez menos outras coisas. E, nesse vaivém, tenho parecido cada vez menos — ou talvez cada vez mais — comigo mesma.

Que bom que isso é possível. Que bom que podemos nos constituir a partir de contornos mais maleáveis que nos autorizem metamorfoses e redirecionamentos. 

E que bom que, abrindo esse espaço em nós, abrimos espaço também para o outro ser inconstante à sua maneira, possibilitando assim uma relação que nos caiba por inteiros em nossas indefinições.