Lições de amor no luto

Aqueles que se vão cedo demais (porque sempre é cedo demais) nos convidam a nos reinventarmos para descobrir novas formas de amar.

De cultivar o amor que fica depois da partida. Amor que, diferente do corpo humano, não tem prazo de validade.

Um amor que tem a saudade como uma amiga paciente, a quem se pode contar vinte vezes a mesma história como se fosse inédita e com quem se pode rir todas as vinte vezes como se fossem a primeira.

Um amor que também banca raivas, ressentimentos, decepções e outros desencontros que fazem parte de qualquer experiência humana, tendo assim espaço para comportar as ambiguidades de uma relação inteira, com suas idas e vindas.

Um amor que, consciente e saudoso dessas idas e vindas, dá conta de dizer que ama mesmo sabendo que não haverá uma resposta “tradicional”, daquelas que se ouve com os ouvidos. 

Um amor que se basta (e se celebra) com a escuta de uma resposta mais sentida, que se ouve com o coração.

Um amor que sabe que, citando J.K Rowling (porque nem só de referências clássicas e acadêmicas puro-sangue se vive um ser humano), “aqueles que nos amam nunca nos deixam de verdade”.