Estou frequentando um ateliê para desenhar. Eis que chego lá, embriagada da expectativa do meu momento criativo como se pisasse num spa em Bali, e me deparo com o seguinte convite do professor:
“Gabi, deixe seu traço mais livre, deixe o lápis correr pela folha sem medo de errar”.
Com o espírito de aventureira que teria se estivesse de fato em Bali, fui na dele.
Ô raiva que me deu. Raiva da mão que não ia, ou ia arrependida já querendo voltar.
Ô raiva que me deu da audácia daquele convite, que ousara furtar minha paz de espírito no intervalo de tempo que eu havia separado especialmente para relaxar, sem precisar me haver com grandes dilemas existenciais.
Dilemas existenciais porque, claro, a gente não tem medo de errar só no desenho. A gente tem medo de errar toda hora. Bem, pelo menos eu tenho.
A questão é que, nesse trampo de ter medo de tudo, quantas coisas não deixamos de fazer porque podem dar errado? Quantos erros evitados não nos privam de construir algo importante?
Terminada a aula de desenho, embora meu tão sonhado momento de relaxamento tenha sido apenas um sonho, a raiva passou. O medo de errar, quanto a ele, estamos em negociações – não discutindo sua partida (porque ele também tem sua função), mas sua flexibilidade.