Mel, minha fiel companheira do mundo animal, adora um pedaço de pano, principalmente se estiver impecavelmente passado e dobrado. Não pode ver nada parecido que já se aninha. E não basta se apossar da roupa recém-passada, tem que “cavucar” para dar aquela amassadinha e mostrar que “alguém” passou por lá.
Mal sabia Mel que, hoje, amassar o lençol perfeitamente passado e posar para a foto com uma naturalidade inabalável de quem nunca fez um xixi fora do lugar seria um ato didático.
Um ato didático para sua humilde tutora que havia passado as últimas horas a se lamuriar por planos frustrados, como se os caminhos tivessem de ser linhas retas, e desvios os desvirtuassem. Logo eu, dona dos caminhos tortos.
Ainda bem que tenho Mel para me lembrar, do alto de seus 8 anos vivendo e amassando lençóis, que todo desvio resguarda uma história que pode ser contada. E que toda história pode ser contada de muitas formas, desvelando a cada vez aspectos novos e convidativos para novas narrativas.