Pague um, leve dois

Já reparou que estamos sempre querendo ser mais espertos que o tempo? Fazer duas ou três coisas simultaneamente para “ganhar” tempo, como se ele fosse uma mercadoria e estivéssemos sempre à procura de uma promoção “pague um, leve dois”?

Eu mesma sou mestra em querer economizar o “meu” tempo (coitada, alguém avisa?), tentando encontrar brechas nem sei bem para quê. Na época do vestibular, eu estudava até tomando banho: tinha plásticos colados do lado de fora do box para colocar as anotações que queria revisar. Até onde vai o ser humano?

Hoje em dia, apesar de meus banhos serem apenas banhos e não mais sabatinas, ainda me vejo aflita quando estou “perdendo” tempo. Dito isso, suspeito que minha matemática esteja errada. Em que mundo “ganhamos” tempo? Afinal, cada segundo que passa é um segundo a menos. 

Talvez a equação aqui não seja tanto quanto ganhamos ou quanto perdemos, e sim de que forma perdemos. Não a quantidade de tempo decorrido e de coisas que conseguimos encaixar nele para tornar o nosso dia mais produtivo, e sim o significado do tempo vivido. Um tempo que pode desafiar a matemática e se tornar eterno quando permeado de sentido.